

O universo musical de Nazar centra-se na violência extrema, na injustiça e na omnipresença de um Estado repressivo durante e após a guerra civil angolana, que durou 27 anos, explorando simultaneamente a esperança, a resiliência e o orgulho num país devastado pelo conflito.
Após o fim da guerra civil, em 2002, Nazar, que cresceu na Bélgica, regressou a Angola. Foi nesse período que começou a aventurar-se na produção musical, criando a sua própria e singular interpretação do kuduro angolano.
Nazar inverte o kuduro, entrelaçando sons de guerra, como o engatilhar de armas e o zumbido de ataques aéreos, e combinando sintetizadores frios com percussão em cascata e crescentes de ruído. As suas letras focam-se em massacres e na violência, com cânticos e provocações contra a ditadura. Nazar chama a isto «Rough Kuduro», um termo que criou através de uma hashtag na sua página do Soundcloud.
O EP Enclave reflete sobre a tumultuosa trajetória de Nazar, homenageando os mortos sem nome e reconstruindo o passado violento de Angola, no sentido de tentar compreender o presente. Representa também uma zona de segurança mental que ele leva consigo para onde quer que vá — um lembrete de que, apesar dos ataques aéreos e de qualquer outro obstáculo, as cidades podem ser construídas em qualquer lugar enquanto persistir a esperança num futuro melhor.
(HDB0117)
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